quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

01 - Overture




Não lembro exatamente como essa canção surgiu mas pelos registros que tenho dos arquivos, ela deve ter sido feita em 2008, provavelmente, como um dos resultados concretos do embrião de todas as minhas gravações musicais, que era um contínuo de experimentos na época em que eu não conseguia salvar arquivos FLP. Nesses experimentos eu trabalhava com escalas e achei que a grande inovação dessa canção era fazer a virada dela como um movimento de executar todas as notas da escala para criar esse efeito. Eu confiava no riff dela mas não sabia o que fazer. Posteriormente eu consegui executá-lo no piano e obtive a sequência da escala de Sol M. O Riff é (G F# D B B E E D D F# E B F#). Lembro-me de ter variado muitas vezes a quantidade de repetições da escala em movimento decrescente. A única versão que tenho salva registra dois movimentos.


02 – Invisible movie soundtrack





Essa canção originalmente se chamaria Dead flowers e foi escrita com o sentimento bravo que tinha em meu coração. Eu estava bravo com o Vaca por algum motivo e decidi que falaria de flores mortas em um jardim, o que parecia uma imagem legal. Ela foi criada no piano a partir de uma sequência de acordes que foi invertida (a ordem era ponte-refrão e eu a transformei o refrão em verso e a ponte em refrão) Abm EM A F#m. Isso me revelou uma escala de EM sem acidentes aparentes, apenas com inversões para deixar a coisa mais fluida. Há um outro refrão escondido no teclado que percorre algumas variações mas ele foi abandonado para deixar a canção mais dramática e mais adaptada a receber uma letra. Foi então que eu acumulei minhas experiências de me sentir invisível na The Week e de repente uma frase não saía da minha cabeça: 'coz I'm invisible now... Eu abandonei completamente as flores mortas e me foquei nisso. Ao mostrar essa canção para a minha irmã, ela me disse que parecia trilha sonora de filme, então é que veio a primeira estrofe

"This is a soundtrack of my movie
An effort to be true in meaning
Sitting on the bench of wooden
Colours that I made 4 this tune"

A letra veio apenas meses depois, no período em que fiquei na casa das meninas para cuidar da cachorra delas.

Ela possui duas versões, uma com uma melodia espontânea que surgiu quando eu estava programando a canção no computador (que nada mais é que o "spelling" dos acordes. Como o resultado deixou ela menos monótona, eu resolvi deixar assim.

03 - Hello Sir




Essa vem de 2007, na época em que eu era vizinho do vaca. Em alguma tarde que tínhamos resolvemos fazer uma canção e saiu isso. As letras vieram quase que automaticamente e se encaixaram na base que ele tinha criado quase que automaticamente. Havia algo imediato de belo naquilo e eu sabia que era preciso guardá-la. Logo depois de ter escrito a letra eu lembro de ter perguntado a ele: sobre o que você acha que é e a opinião dele era a de que se tratava de um desabafo bem óbvio. Lembro que usamos o gravador do Pen drive/mp3 vermelho que ele tinha para salvar o audio. Não faço idéia de que acordes são esses mas sei que a canção funciona muito bem. Eu perguntei pra ele se ele preferia que eu fizesse um vocal mais arrastado (com menos palavras) ou uma coisa mais espremida e ele preferiu a segunda versão, o que foi muito mais fácil pra mim. Depois ele sugeriu a parte do "away, away", que ia mais na linha do que ele imaginava para a canção.

04 - Intervention 68'




Essa canção foi um acontecimento único de indentificação. Na época do grande contínuo eu tinha gravado algo chamado song for my mother. Era um combinado de notas um pouco tristes que se repetiam mas tinham algum potencial. Em meados de junho de 2009 eu estava determinado a fazer alguma coisa daquelas canções do passado e comecei a tentar identificar quais eram as notas no teclado. Após asssistir ao programa Intervention, o 8o episódio da 6a temporada, na qual havia a história de Allison, uma moça viciada em gás de buzina, eu simplesmente voei para o teclado e fiz essa canção sobre ela. Foi algo mágico. De alguma forma o vocal saiu na mesma noite e as letras foram muito faceis de serem escritas. Eu sabia o que eu queria dizer e dessa vez eu tentei me conter em consertar os erros e deixei as coisas acontecerem Até hoje a linha de vocal tem erros incorrigíveis mas estou satisfeito pelo fato da letra ter sido tão honesta e da melodia ter me encaminhado com tanta naturalidade. A percussão que acompanha a canção é suave e realmente cumpre seu papel em fazer as pessoas andarem.

05 - Dead man walking



Mais um tesouro de 2007. O que eu sempre lembro é que o Vaca tinha um carinho especial por essa música e eu percebi que ele gostava dela quando eu o ouvi cochichando uma outra linha vocal depois de eu ter apresentado a minha proposta. A letra foi escrita por mim e seguia um caminho mais tortuoso e mais similar às outras linhas vocais que eu tinha produzido. Ela começa com

"flesh to flesh
and bones to bones
Soon I'll grow up
and leave you in my youth years"

A primeira versão que o Vaca me passou, que foi a que eu usei para fazer a letra era mais saltitante mas igualmente triste. Eu lembro que os saltos eram bem acentuados e o vocal foi atrás disso. Depois o Vaca criou essa versão mais encaixada dela mas ainda consigo sentir o gosto da original, que precisa ser resgatada de alguma forma. Estávamos no apto dele, isso eu lembro e quando ele fez aquela sequência destruidora eu decidi que era melhor não colocar palavras naquela parte.

06 - Sleep Sugar




Essa canção surgiu ao teclado quando a Thata começou a me explicar o que era música e como tudo funcionava. A versão que tenho hoje foi a primeira coisa que eu fiz na tentativa de usar duas mãos ao mesmo tempo (já em 2009, depois de ter comprado o teclado). É óbvio que ela surgiu com a predominância da mão esquerda em uma tentativa de fazer uma sequência cadenciada de acordes que ficou muito bonitinha. O nome veio pelo fato do cachorrinho, o Sugar Baby love pegar no sono enquanto eu praticava essa canção em 2008. Foi uma época mágica da minha vida e ao mesmo tempo muito cheia de problemas financeiros que não tinham fim. Sleepsugar era uma suave canção de ninar que foi ligeiramente alterada e ganhou uma passagem a mais e uma variação de tema para incrementá-la. Se há algo 100% feito no teclado sem conhecimento teórico, esta canção é a primeira. Fiquei muito contente com seu resultado.

No Youtube há uma outra versão chamada Sleepsugar redux, que é a versão original da sequência de acordes com uma linha de baixo bem simples mas que ficou bem bonitinha. Talvez eu prefira essa versão, no final das contas. Isso também data de 2008.


07 - On the track again



Essa é uma peça embrionária. Lembro-me que pegando o jeito novamente foi composta em São Paulo, no apto das meninas na Mateus Grou. Eu tinha levado o meu Pc, eu acho e estava a um tempo sem escrever nenhuma proto-canção. Foi então que eu "peguei o jeito novamente" e fiz uma simples alternância que parecia aleatória mas que funciona perfeitamente. Ela foi inteira escrita no computador, direto e possuía 3 versões, com vozes diferentes. Depois eu acabei por recriá-la com outras vozes mas mantive tudo o que havia na original. Eu havia pego o jeito novamente. Essa canção data de janeiro de 2008. Bem simples, ela alterna C# e F# como base e a partir disso todo o resto se desenvolveu, inclusive os riffs hipnóticos.A percussão é a mesma utilizada em Smiths com usurpadora. Se não me engano eu acabei por mixá-las no Virtual DJ

08 - Things to buy




Em uma tentativa de fazer algo diferente, um pouco mais avançado nos meus estudos musicais, eu fiz a primeira parte da canção. Lembro-me que instantaneamente o verso "All the world is full of things to buy" veio na minha cabeça mas eu não sabia exatamente como desenvolver a canção para além do refrão. A passagem para o primeiro verso mas mesmo assim algo estava travado. Eu confiei muito que havia um algo mais para ser investigado e fui visitar as meninas. Lá, com um tempo de sobra com a Lígia, eu tive a oportunidade de mostrar para ela no violão qual era a minha idéia de refrão que não saía da cabeça. Ela pegou o violão e começou a fazer mágica. Lembro-me que eu fiquei impressionado com esse "diálogo musical" que aconteceu assim, de uma hora para a outra. De repente eu descobri que sabia conversar musicalmente com as pessoas. Ficamos insistindo em um jogo de tentativa e erro para conseguir sair da primeira estrofe e então ela surgiu com a sequência que dá base para o "there's no finish line, there's no safe to find", que era uma série de Maiores à sétima (FM7, GM7, AM7), que ficou maravilhoso. Eu fiquei impressionado na hora e sabia que tinha conseguido alcançar algo comovente. Na mesma hora em que encaixávamos os acordes eu já pensava na letra. Lembro que conversamos muito e foi a Lígia quem me incentivou a usar figuras de linguagem diferentes (os anjos deslizando no caramelo de mãos dadas) e no final queríamos transmitir uma sensação de mãos atadas mesmo com toda a opulência do mundo. FOi mágico. Fiquei muito feliz com o resultado final.

Depois eui a programei e fiz quatro versões diferentes. Mostrei uma delas para a Lígia, que indicou por algo menos eletrônico e mais natural. A versão final só tem uma pequena lembrança disso, que é essa nota A que se repete para sempre, criando uma atmosfera que carrega a canção até o final e que coroa gloriosamente a solução que criamos para a ponte.

09 - The Ballad of Steve Patrick


O Dabata e o Vaca adoravam fazer uma brincadeira de cantar e compor canções bregas/cafonas. Um dia, em 2007, o Vaca disse "vamos fazer uma canção meio sambarock". Na hora em que ele começou a tocar eu falei: "nossa, isso parece com o The Smiths". Eu rapidamente escrevi a linha vocal e ficou muito engraçado. Mais rapidamente ainda ele fez a passagem "emocional" e essa canção ficou pronta assim, em questão de horas. De tanto eu insistir o Vaca topou gravar esas canção comigo. Fomos pra minha casa, eu liguei o PC e a televisão. O PC repetia a percussão e a Tv estava ligada na novela A usurpadora. Ele achou que essa idéia era mais parecida ainda com The Smiths e topou na hora. A gente gravou ela de primeira e até hoje essa é uma das minhas canções favoritas.

10 - We made it!



Tudo começou com alguns testes no teclado. Eu comecei a brincar com algumas pequenas variações e acabei por programá-la. Ela não saía muito do lugar mas era agradável. Continuei a tentar, a experimentar e então eu a re-programei, com algumas variações diferentes, sem perceber que estava fazendo quase a mesma coisa. Quando me dei conta, resolvi uni-las e juntei as duas peças em uma canção só. We made it é quase que um triunfo, ela tem em si esse ar de superação. Ela usa um riff que eu havia feito no violão usando apenas a corda mais grave que foi a sequência de acordes usadas para fazer a canção "Charlie Tonight", que o Vaca conseguiu desdobrar. Ela percorre diversas variações de poucos acordes e nos faz viajar lentamente a algo mais otimista. We made it tem a ver com o fato de que eu finalmente fui capaz de criar uma canção completa para uma única frase musical que havia surgido espontaneamente em minha cabeça que dizia: "how we got to this point where you don't want to know me at all?".

11 - Peace




Peace foi a primeira canção que eu intencionalmente fiz depois de comprar meu teclado. Eu parti da alternância simples de C# F#, que criava uma tensão interessante. Isso me levou a adicionar mais duas notas e cheguei ao acorde de F#m7, que quase implorava por uma alternância dramática. Foi então que obviamente - mas sem eu saber - surgiu o C#m. Com ele eu pude estabelecer um andamento para a canção e assim andamos até o final, passando por variações constantes e poucas repetições. Foi ao terminar essa canção que eu soube o que significava fazer uma sequência complexa que soa uniforme. O nome veio pelo fato de que eu queia falar sobre a paz que eu começava a sentir no meu relacionamento com minha mãe em 2009. Essa canção foi uma das primeiras que eu fiz em São Paulo após comprar meu teclado e forçou a apromorar a minha técnica de execução.

12 - Songs for autistic kids (repetition number 1)




Eu já estava finalizando a escolha das canções do falecido "Golden Years" quando essa canção surgiu. Eu desdobrei o acorde de C#m7 na mão esquerda e consegui um riff bem forte. Não sei como eu o complementei com um CM7 e deu certo. Fiquei nessa tensa alternância que tinha vida por si só. Sempre compor for um exercício de acreditar na força das coisas que eu ouvia. Eu movi um pouco mais minha mão e quando percebi tinha uma frase de uns 40 segundos... o que eu faria com ela? Decidi repeti-la e criar esse conceito de crianças autistas. Na época eu estava bastante impressionado com a história de uma família com vários filhos autistas e nada parecia mais apropriado. Faltava alguma coisa nessa canção mas isso nos leva à segunda parte dela.

13 - Golden Years




Também conhecida como Major T., Golden Years é uma das canções mais velhas do álbum e uma das mais legais também. Sua concepção foi um enigma e aconteceu no mais absoluto acaso do uso de substâncias controladas. Nessa época (2007) eu não tinha a licença para salvar as canções que havia programado e um dia eu comecei a fazer alguma coisa e quando eu dei por mim eu tinha essa canção pronta. Lembro-me que eu não desliguei o computador para não perder o arquivo e poder trabalhá-lo em outro dia. Eu simplesmente adoro essa canção e essa é uma prova de que saber a teoria é apenas uma pequena parte das coisas. Eu acreditei nessa canção, na base dela e tudo deu certo. Depois, em 2009, eu acabei criando o refrão "Drugs and alcohol (Party); partying hard our golden years". Acredito que a canção não vai passar disso, no final das contas mas até agora não consegui refazê-la e reprogramá-la. Ela ficou como um tesouro, no final das contas; um precioso tesouro que se comunica facilmente com as pessoas.

14 - Finale/Monday Morning




Seguindo o espírito da introdução, Monday morning propõe uma conclusão para o álbum. Ela é bem acelerada, funciona somente com 527 batidas por minuto, mas é um experimento bem fluido e lírico. Eu criei essa canção como um pequeno arquivo e descobri que não havia outra coisa a fazer exceto utilizá-la pura, da forma fluída que ela aconteceu. O nome monday morning sugere uma realidade; ela foi feita em uma segunda-feira de manhã. É assim que terminam os anos dourados: em uma segunda-feira de manhã.